Manhã

by - 10:00:00

Dia 25 às ordens de Abril
Amanhece como amanhecem mil
A madrugada que vem separar
Dois mundos, numa voz que não se quis calar.

Eu nasci com a revolução feita
Numa Nação 'inda mal refeita
Em que as vozes altas do altar
Tão pouco fizeram mudar.

Pouco para o que se lutou
Pouco para quem sangrou
Ainda é pouco para fazer esquecer
O que anos de tortura fizeram doer.

E é 25 de um Abril a nascer agoniado
Num palácio onde há tanto povo enganado
Tanto por fazer faz acreditar
Que é bem haja a ditadura que se fez findar.

Que um povo que se atira de um penedo
É um povo órfão e com medo
Que é dessa alma lusa templária
Ou da vaidade reaccionária?

Os meu velhos andam loucos
Não têm motivos poucos
Os meus jovens? Perdidos
Ébrios, alucinados, bandidos.

De quem as rédeas de amanhã?
Quem pega nesta esperança vã?
Oh Abril perdoa os pecados
De tantos 25 desonrados!

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