Para todas as minhas Irmãs

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Dizem que não há laço mais poderoso que o sangue. Talvez isso se aplique fervorosamente à relação entre quem gera vida e quem é gerado mas nem sempre o que nos une, corre nas nossas veias. Por vezes, as nossas experiências partilhadas são o mote das uniões mais fortes e duradouras que alguma vez iremos manter. Que nem só de sangue se fazem irmandades.


As que se levantam depois de serem atiradas ao chão. As que desafiam o destino e mudam o curso da vida. As que se rebelam mesmo que doa. As que rugem mesmo que ninguém as ouça.
As que sentem o peso do mundo. As que se sentem sem ar. As que ainda não sabem que há luz no fim desse túnel. As que choram baixinho para que ninguém saiba. As que sofrem caladas envoltas em vergonha.

Vocês são todas minhas irmãs.

As que fizeram do amor, bandeira. As que continuam a acreditar por entre as desilusões. As que sonham alto e as que sonham baixinho. Todas as que acham que sonhar não é para elas. As que dormem em posição fetal mas se levantam no dia seguinte. As que são mães e as que escolhem não ser. 
As femininas. As masculinizadas. As que ainda não sabem bem o que ou quem são. As que riem alto. As que se esqueceram de como é sorrir. As que vão para a cama no primeiro encontro. As que se guardam para o casamento.

Vocês são todas minhas irmãs.

As que não precisam de magoar. As magoadas. As que se soltaram das correntes do abuso. As que não deixaram que as cicatrizes fossem maiores que a esperança. As que se reergueram da violência contra todas as expectativas. As que olharam para si mesmas ao espelho e não se reconheceram  por entre as marcas. As que acreditaram na felicidade prometida e viveram um pesadelo.
As que sobreviveram. As que pereceram às mãos de quem as prometeu amar. As que ficaram por não saber como sair. As que saíram por não conseguir ficar. As que param para respirar. As que correm sem olhar para trás.

Vocês são todas minhas irmãs.

As que lutam ainda hoje, agora, nesta hora, neste momento, neste segundo aflito de uma dor que parece não ter fim, por entre ameaças, insultos e desprezo, restos de sentir que lhes grita que amor é aquilo, que não merecem mais, que não vão ter mais, que ninguém mais as quererá, que isso são músicas e filmes e ninguém tem uma vida feliz, que a culpa é delas, defeituosas, malucas, burras e feias, quem as irá querer assim, este amor é um favor que lhes é feito. 
As que descobriram que a felicidade não está no outro. As que ainda não chegaram lá. As que olharam para si e viram a luz maior brilhar. As que nunca desistiram. As que podes tentar subjugar mas que sempre terão algo nelas que nunca irás quebrar. Talvez vergar ou mesmo causar mossa. Mas quebrar? Não, quebrar não.

Vocês são mais, são melhores, são fortes, são poderosas e a vossa capacidade de amar é uma das maiores bênçãos desta vida, mesmo quando parece uma maldição.



Hoje e todos os dias, eu desejo que te ames muito, minha irmã, que sorrias muito, que vivas muito, por ti mesma e por todas as que ainda ou já não o podem fazer.

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