A Beleza ao serviço da Auto-estima

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Não é novidade que em terras de quem vive do ver viver, uma mulher bonita ou uma mulher que se cuide ou arranje, é tida como fútil, provavelmente cabeça de vento. Sorte dela se casar com um homem com um bom trabalho. Socorro!
É errado, para além de preconceituoso e retrógrado, atribuir os cuidados que temos com a pele, com o corpo, a forma como nos maquilhamos ou vestimos, apenas e somente a um qualquer ritual de acasalamento. 

Eu não uso um decote para virar cabeças, uso porque gosto de ver o meu reflexo ao espelho.
Eu não pinto os lábios para seduzir, eu sou uma tela e batom é pincelada que me realça.
Eu não uso perfume para atentar os sentidos, eu gosto mesmo de andar cheirosa.

Ninguém precisa de usar cosméticos para viver e não morremos sem eles. Mas queremo-los na mesma.

Há dias em que o tempo, a paciência ou o mau dormir não nos deixa cuidar de nós. E cuidar de nós não tem a ver com o resultado final, tem a ver com o momento, o ritual de passar creme no corpo, a concentração em passar o batom, a sequência de limpeza e hidratação facial. Depois de um dia de trabalho, depois de cuidar da família, depois dos afazeres domésticos, fazer uma máscara e ler um livro, sem responsabilidades ou as carências alheias para suprir, é tudo o que precisamos para nos revigorarmos, para cuidarmos de nós e isso é ok, é gratificante. Assim como amamos melhor quando nos amamos, cuidamos melhor quando nos cuidamos. E todas o fazemos de forma diferente, todas damos primazia a formas diferentes de cuidados de beleza, que podem ser até espirituais.
Uma cor específica de batom quer dizer coisas diferentes para cada uma de nós, não existe certo ou errado, existe aquilo que tu queres, aquilo que tu escolhes para acompanhar a mulher fantástica que és, para realçar e nunca esconder a pessoa maravilhosa que és, com ou sem batom.

(+)3 Mantras de Beleza para te sentires mais Bonita

Photo by Hai Phung on Unsplash

Mas é importante lembrar: 

Trabalhar a beleza exterior não muda o interior por magia, um batom não é um psicólogo.

Não usamos os cosméticos apenas para nos sentirmos bem, porque nos sentimos bem ou para exteriorizar o nosso eu interior. Muitas vezes, muito mais do que gostaríamos de assumir, atribuímos a estes produtos, qualidades mágicas de uma cura que até pode ter começado no exterior, mas que tem que ser curada no interior.
Eu sei que em alguma altura da tua vida já te fizeram sentir feia, desajustada, deslocada neste mundo aparentemente perfeito. E tu não és perfeita, és humana. As inseguranças que esses ataques fizeram brotar em ti, manifestam-se numa obsessão com a base perfeita, o corrector que tudo esconde, o contorno que afina, as sobrancelhas milimetricamente iguais. Essas inseguranças impedem-te de te amares de rosto lavado, sem te reconheceres ao espelho. Estás a esconder os teus sentimentos debaixo de um tapete feito de embalagens e cores bonitas e a adiar lidares com o facto que tens que gostar mais de ti por ti, que precisas entender o que te faz sentir desconfortável na tua pele e trabalhar todos os dias para ultrapassar essa quezília contigo. Para que te reconheças sempre, para que te vejas bonita, com ou sem adornos. Porque quando trabalhas a tua auto-estima, és mais bonita do que alguma vez foste.

Então...

Usa o decote, a mini-saia, os saltos altos. Abusa do perfume, faz as pestanas duplicarem de tamanho, preenche os lábios com o batom mais bonito. Limpa o rosto, nutre-o com oito camadas de séruns, óleos e cremes. Aplica a loção mais hidratante pernas acima, braços abaixo, agradecendo pelo corpo que te permite ter tanto mais que agradecer. 


Faz isso tudo por ti. Por gostares de ti embora a imperfeição. Para ti. E se fizer sentido para ti, não o faças de todo. O poder de escolha é sempre teu.

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