For all the fuckers who broke my heart

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Amei-te.

Descompassadamente, virtuosamente, com os nervos à flor da pele, com a tensão húmida da carne a latejar. Amei-te.
Fiz da alma arremesso e deitei-ta no colo, tremelicada e sôfrega, ébria. A cabeça, possuída pelo encanto que vem com o sentimento mais belo e cativante, enchi-a de imagens tuas, vozes tuas, odores teus. O peito, rebentando de um sentir de lar doce lar no teu abraço, palpitou mais forte nas tuas chegadas, sofreu pontadas nas tuas partidas. Esta pele, suada e arrepiada, tão quente e no entanto tão fria, quis cobrir a tua, sem nada mais do que o teu respirar como pagamento.

Amei-te.

Pudera eu sorver-te os demónios, inundar-te de luz, chamar à razão cada teu acto de loucura altiva. Pudera eu salvar-te, de ti e de mim, insana de amor, perdida de amor, doente de amor. Febril. Boca seca, mãos em punho, vingança vil que se apodera do ser e nos afunda. Filha de uma dor que é mais puta que qualquer outra antes conhecida por esse nome.


Depois de partires, como partiram mil outros antes de ti em cada uma das minhas vidas, não perdi este ímpeto de amar, de bem querer. Desnorteada sem ti, sem o calor do teu sorriso pela aurora, eu persisti, sonhei, senti. Sem mapa de mim mesma, às apalpadelas, sem noção do tempo e do espaço, eu continuei a amar, não a ti mas à ideia de ti. E vou buscar essa ideia noutro rosto, noutro corpo, noutro bafo quente e doce no meu ouvido, noutra melodia descompassada, frenética, electrizante. Vou viver esse amor outra vez e de cada vez, como se essa vez fosse a primeira, a maior, a melhor, a última. E quando a ideia se dissipar ao vento, que o amor é fumo que um fogo deixou pelo ar, recomeço, baralho as cartas, corto a meio, saio na estação em que ninguém se atreve e lá vou eu, transbordada de amor.

Amei-te. Mas amar-te foi um feito meu, um rasgo de iluminação minha, poesia lírica que enfeitiça e nos faz dançar. Que nos faz tombar. Eu amei-te. Que fizeste tu?

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