Tenho de escrever?

by - 10:00:00

Se eu pensar em todas as razões pelas quais escrevo, pelas quais tenho de ou preciso de escrever, será que vou escrever até me doerem os dedos?

Se eu contar com os textos românticos, os textos banais, os poemas aflitos, as legendas de instagram, os comentários nos blogs alheios, os rabiscos entre o cliente que paga e o que está a por os produtos no tapete rolante, se eu contar com as canções há muito esquecidas, com os impropérios que por vezes voam nas linhas, se eu porventura somar as mensagens picantes, os postais de condolências e até as minhas milhentas listas de afazeres, poderei enfim, descobrir se tenho mesmo de escrever?

Há pessoas de pessoas, pessoas de lugares, pessoas de sorrisos, pessoas de abraços, há pessoas que se sentem mais pessoas nas mais diversas actividades. Eu sou eu quando escrevo.

Quando o cursor pisca e os dedos fluem qual pássaro livre no céu azul, eu sou munida de uma fome que não engole: expele. Expele palavras ventre fora, boca fora, dedos fora. E no negrito das palavras sem som, no grito mudo delas, eu sou feliz. Poder escrever, tirar algo de mim e oferecê-lo, é aquilo que eu sempre quis fazer, é o meu modo mais sincero de viver, de me relacionar, de me explicar, de me por em sarilhos até. Porque quando escreves com o coração nos dedos, trazes no canto toda a fragilidade, toda a vulnerabilidade, dás-te com tudo o que tens e abres o jogo. E mesmo quando as palavras te traem e os resultados te magoam, não é a elas que culpas, nem a ti. Porque fizeste o que podias, escreveste o que sentias, deste o que tinhas.

E quando os pontos finais são escritos com lágrimas, escrever um novo capítulo está ao meu, está ao nosso alcance.

Eu tenho de escrever porque a minha felicidade depende disso.

o mote partiu da Catarina e eu fui levada a ele pela Filipa

You May Also Like

0 comentários