O Lírio Vermelho, Nora Roberts

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Há livros para todos os estados de espírito, para todos os desejos, para qualquer que seja o nosso humor. O Lírio Vermelho, o terceiro volume da trilogia No Jardim, de Nora Roberts é, à semelhança dos dois livros anteriores, uma ode à esperança no que se refere ao amor, uma afirmação de que, pode demorar, pode ser difícil lá chegar, podemos beijar muitos sapos pelo caminho, mas todos temos, no final das contas, uma pessoa a quem amar e de quem recebemos o mesmo.

Nesta história existe um fantasma a quem se chama de Noiva Harper. Ninguém sabe nada dela, apenas que faz parte da casa, e quem sabe, da família. E embora a nossa fantasma não seja habitualmente assustadora, isso mudou. Há qualquer coisa nos amores arrebatadores que desperta nela uma cólera desprovida de contexto. 

Os livros centram-se nas três mulheres maravilhosas que são Stella, Rosalind e Hayley, cada uma à sua maneira e com a sua própria experiência de vida, mulheres fortes e resilientes, sendo isso o que as une em primeiro lugar, assim como o amor que empregam no trabalho que efectuam no centro de jardinagem No Jardim, propriedade de Rosalind. Ao longo dos livros, os laços que as unem estreitam-se e à medida que cada uma se apaixona, a amizade que travam, ajuda a que sejam mais fortes e que tenham bases de segurança para se lançarem com menos receios. Quer dizer, pelo menos até a Noiva Harper se lembrar de fazer das suas e assustar toda a gente.

Embora no decorrer dos livros anteriores, nós leitores, tenhamos percebido a maior parte da história do nosso fantasma de estimação, é neste livro que os protagonistas percebem os quês e porquês de uma mudança de comportamento tão radical, numa sombra de um passado do qual não se fala nem considera

Os livros da Nora Roberts são vistos depreciativamente como romances de cordel, porque mesmo havendo histórias de amor, a autora dá voz ao apelo da carne e faz do sexo parte integrante das suas obras. Vocês sabem, aquilo que toda a gente faz mas do qual não se fala à mesa, porque foi assim que fomos educados? Sim, sim, aquilo que as pessoas que se gostam, amam ou simplesmente têm vontade, fazem e daí retiram prazer, isso mesmo!
A verdade é que as mulheres têm mais predisposição para associar o sexo ao amor e a atracção pelos livros da autora passa por aí: ela dá importância ao sexo mas ele é sempre fruto de ou desabrocha do amor, há muita carga emocional, não é só tesão por tesão. E isso funciona melhor para mim, pessoalmente, no que a livros diz respeito.

No A Dália Azul foi dado destaque a Stella. Em A Rosa Negra foi Rosalind a protagonista. E em O Lírio Vermelho cabe a Hayley descortinar os seus sentimentos amorosos e carnais. É importante referir que as personagens femininas do universo Nora Roberts podem ser ocasionalmente frágeis, uma vez ou outras demasiado sensíveis e outros traços que tais, mas são todas mulheres fortes que sofrem mas que se levantam, que amam e que acreditam em algo, mesmo que tenham andado à deriva outrora.

Mais não conto. Digo se gostei: gostei muito, era livro que procurava faz tempo, porque sou assim com colecções/trilogias/whatever, sou chata mesmo, quero tudo direitinho nas minhas prateleiras. E recomendo porque por vezes encontras na ficção, a esperança que perdeste no mundo e nas pessoas, no poder dos sentimentos e na força do que está destinado a ser vivido por cada um de nós: "o" grande amor.

E quem é que não o quer?

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